Corte de R$ 17 Milhões na Assistência Social de Londrina Gera Protesto e Alerta para Crise em Programas Sociais

Centenas de pessoas lotaram a Câmara Municipal de Londrina nesta segunda-feira (13) para acompanhar uma reunião pública da Comissão de Seguridade Social. A pauta central foi o impacto do corte de aproximadamente R$ 17 milhões no orçamento da Secretaria Municipal de Assistência Social para 2026. Diversas entidades sociais conveniadas com a Prefeitura participaram do encontro, expressando preocupação com a continuidade de seus serviços.

O vereador Sídnei Matias (Avante), presidente da Comissão de Seguridade Social, destacou o objetivo da reunião: “O objetivo é ouvir as OSCs (Organizações da Sociedade Civil), ouvir as entidades… para que as entidades passem à cidade de Londrina os trabalhos realizados dentro do nosso município”. Matias ressaltou que o orçamento da secretaria, que era de R$ 134 milhões em 2025, cairá para cerca de R$ 117 milhões no próximo ano, conforme o substitutivo à Lei Orçamentária Anual enviado pela Prefeitura à CML.

As entidades presentes apresentaram dados alarmantes sobre as consequências dos cortes. Fabrícia Laís Pigaiani, coordenadora executiva da Cáritas Londrina, alertou para o risco de extinção do programa de migração da entidade, que atende mais de 10 mil migrantes e refugiados. “Com esses cortes o programa não vai mais existir”, afirmou Pigaiani, enfatizando que a maior parte dos atendidos é de venezuelanos residentes na ocupação Flores do Campo.

Outro serviço da Cáritas ameaçado é o programa de inclusão produtiva, que oferece oportunidades de trabalho e capacitação para 108 pessoas. A coordenadora explicou que o repasse atual de R$ 1.144.000 será drasticamente reduzido para R$ 270 mil, impactando diretamente na capacidade de manter os 15 trabalhadores responsáveis pelo programa.

Ezylda Magro, representante da Associação Flávia Cristina, alertou para o possível fechamento do serviço de Residência Inclusiva, que acolhe pessoas com deficiência sem amparo familiar. “São pessoas que perderam todos os vínculos familiares ou não tem familiares, pessoas que muitas vezes estavam em situação de rua… esse serviço corre o risco de ser fechado”, lamentou.

O secretário municipal de Planejamento, Orçamento e Tecnologia, Marcos Rambalducci, reconheceu o valor dos serviços prestados pelas entidades, mas defendeu a necessidade de otimizar os recursos diante das dificuldades financeiras do município. Ele questionou a eficiência dos processos das entidades e sugeriu a necessidade de revisões.

Diante do cenário, o vereador Sídnei Matias informou que o Legislativo e o Executivo estão buscando alternativas, inclusive por meio da captação de recursos estaduais e federais. O projeto da Lei Orçamentária Anual de 2026 ainda passará por análise das comissões temáticas e por audiência pública antes de ser votado em plenário.