Cracolândia: Operação Revela Esquema do PCC Usando Ferros-Velhos para Abastecer o Tráfico

Uma investigação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) expôs um esquema intrincado do Primeiro Comando da Capital (PCC) que utilizava ferros-velhos e empresas de reciclagem na Favela do Moinho como base para o tráfico de drogas destinadas à Cracolândia, no centro da capital paulista. A revelação é fruto da ‘Operação Sharpe’, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Na segunda-feira (8), a operação culminou na prisão de oito pessoas, sete delas por mandado de prisão preventiva. Os detidos foram encaminhados à Polícia Civil, onde serão interrogados e formalmente acusados de organização criminosa, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, receptação e crime ambiental. Promotores afirmam possuir provas robustas que ligam os suspeitos ao esquema criminoso.

As investigações, que contaram com o apoio da inteligência da Polícia Militar, apontam a família Moja como líder da organização. Mesmo com a prisão de Leonardo Monteiro Moja, conhecido como ‘Léo do Minho’, no ano anterior, seus familiares teriam mantido o controle do tráfico, com suspeitas de que Léo continuava a dar ordens de dentro da prisão. “As investigações apontam para uma continuidade das operações mesmo após a prisão do líder”, revelou um dos promotores envolvidos.

Entre os parentes de Léo presos estão sua irmã, Alessandra Moja Cunha, e sua filha, Yasmin Moja Flores. Além delas, foram detidos Jorge de Santana, proprietário de um bar utilizado para armazenar drogas e armas, e José Carlos da Silva, apontado como o substituto de Léo no comando do tráfico. Outros três suspeitos, Leandra Maria, Paulo Rogério e Cláudio Celestino, conhecido como MC Xocolate, também foram presos.

De acordo com a denúncia do MP, Alessandra Moja desempenhava um papel central na administração de pelo menos seis ferros-velhos e pontos de reciclagem na Favela do Moinho. Esses locais recebiam as drogas da facção e contratavam carroceiros e catadores para transportá-las até a Cracolândia, escondendo-as em meio a fios e sucatas. “O esquema era engenhoso, utilizando a atividade de reciclagem para camuflar o tráfico”, detalhou um investigador.

Além de servirem como pontos de distribuição de drogas, os ferros-velhos, que operavam de forma irregular, também funcionavam como ‘tribunais do crime’ do PCC, onde membros e desafetos eram julgados. As investigações ainda revelaram a exploração de dependentes químicos em condições degradantes, utilizados como mão de obra barata. A lavagem de dinheiro era realizada por meio de movimentações financeiras atípicas e notas fiscais fraudulentas, que simulavam a venda de grandes quantidades de material. O Gaeco também investiga a suspeita de que o grupo extorquia moradores, cobrando para que aceitassem deixar a comunidade em troca de imóveis oferecidos pelo governo.