Ex-secretário Wagner Mesquita questiona sistema prisional do Paraná e cobra respostas do governo Ratinho Junior

O delegado da Polícia Federal e ex-secretário de Segurança Pública do Paraná Wagner Mesquita voltou a levantar questionamentos sobre a estrutura do sistema prisional paranaense. Em publicação no X, Mesquita afirmou que o Estado ainda não dispõe de condições previstas na legislação para o tratamento de presos submetidos ao regime disciplinar diferenciado e às regras aplicáveis a unidades de segurança máxima.

Segundo Mesquita, entre as exigências estão cela individual, visita em parlatório, duas horas diárias de banho de sol e monitoramento das comunicações.

“Isso o Estado do Paraná não tem (ainda)”, escreveu o ex-secretário.

A declaração ganha peso por partir de um delegado da Polícia Federal que já comandou a Secretaria de Segurança Pública do Paraná. Mesquita esteve à frente da pasta em 2022, durante o governo Ratinho Junior, e anteriormente também havia ocupado o cargo durante a gestão Beto Richa. (Aerp⁠)

Crítica coloca gestão da segurança em xeque

A manifestação abre um questionamento incômodo para o Governo do Paraná: se a segurança pública é apresentada pelo governo Ratinho Junior como uma das áreas prioritárias da administração, por que ainda existiriam deficiências estruturais em unidades destinadas a custodiar presos de alta periculosidade?

O governo estadual tem divulgado investimentos em equipamentos, tecnologia, viaturas e ampliação do efetivo policial. A atual administração também sustenta que o Paraná alcançou avanços importantes nos indicadores de criminalidade.

Mas a crítica de Mesquita coloca outro aspecto em evidência: não basta anunciar investimentos em segurança pública se a estrutura penitenciária não acompanhar as necessidades de um Estado que enfrenta o avanço e a organização das facções criminosas.

A discussão é especialmente relevante diante do cenário atual do sistema prisional. Presídios são parte fundamental da política de segurança pública, principalmente quando o objetivo é impedir que líderes de organizações criminosas continuem comandando atividades ilícitas de dentro das unidades.

O governo precisa responder

A publicação de Wagner Mesquita não apresenta apenas uma crítica política. Ela levanta uma questão objetiva sobre a estrutura disponível no Paraná e sobre a capacidade do Estado de cumprir integralmente os padrões previstos na legislação.

O ponto central, portanto, é saber quais unidades prisionais paranaenses atendem atualmente a essas condições, quais ainda não atendem e quais investimentos estão previstos para corrigir eventuais deficiências.

Para uma gestão que transformou os investimentos em segurança em uma das marcas de seu discurso, a cobrança é difícil de ignorar.

A pergunta que fica para o Governo Ratinho Junior é direta: o Paraná realmente possui uma estrutura prisional preparada para lidar com presos de alta periculosidade ou ainda existe uma distância entre o discurso de excelência na segurança e a realidade dentro dos presídios?

Até o momento, a publicação de Mesquita coloca o tema novamente no centro do debate e cobra explicações sobre uma área que costuma ficar em segundo plano nas grandes discussões sobre segurança pública.