Cleberson Paulo dos Santos, conhecido como “Nego Mimo” e identificado como membro do Primeiro Comando da Capital (PCC), foi morto em um confronto com a Polícia Militar na zona leste de São Paulo, na terça-feira (23). Em 2019, ele já havia sido implicado em um plano para assassinar o então delegado-geral Ruy Ferraz Fontes, que foi morto neste mês em Praia Grande, litoral paulista. A morte de Nego Mimo reacende o debate sobre a atuação do crime organizado e a segurança pública no estado.
De acordo com informações da Polícia Militar, a localização de Nego Mimo ocorreu após denúncias. Durante a abordagem, ele teria reagido, disparando contra os agentes do Batalhão de Choque, que revidaram. Atingido no tórax, ele foi levado ao Hospital Santa Marcelina, mas não resistiu aos ferimentos. Com ele, a polícia apreendeu uma pistola 9 mm com a numeração raspada.
Nego Mimo era considerado foragido da justiça, após não retornar de uma saída temporária do sistema prisional. Ele cumpria pena por homicídio e possuía antecedentes criminais por tráfico de drogas, associação criminosa, corrupção de menores, falsificação de documentos e uso de identidade falsa. Segundo fontes da investigação, ele exercia uma função de liderança disciplinar dentro do PCC na zona leste da capital, coordenando ações de outros membros em liberdade.
Relatórios da inteligência policial já apontavam a ligação de Nego Mimo com o crime organizado. Ele era identificado como integrante do “Bonde dos 14”, grupo associado ao PCC que, segundo as investigações, teria articulado atentados contra autoridades estaduais. A menção ao seu nome em investigações sobre o suposto plano contra Ruy Ferraz, em 2019, levanta questionamentos sobre a motivação do posterior assassinato do delegado.
Apesar de a Polícia Civil ainda não ter confirmado a participação direta de Cleberson na execução do ex-delegado, sua morte acontece em meio às investigações que buscam identificar os mandantes e executores do crime. Autoridades de segurança consideram a eliminação de um foragido com perfil de liderança dentro da facção como um golpe, embora reconheçam que não representa um enfraquecimento imediato da estrutura criminosa.





