Em uma tentativa de suavizar as relações bilaterais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizaram uma videoconferência nesta segunda-feira. O foco principal da conversa foram as tarifas e sanções impostas pelos EUA ao Brasil, buscando um terreno comum para o comércio. Ambos os líderes manifestaram a intenção de se encontrar pessoalmente em breve, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.
Trump utilizou suas redes sociais para classificar a ligação como “muito boa”, destacando o caráter econômico e comercial da discussão. A declaração sinaliza um possível degelo nas relações, apesar das recentes divergências. A expectativa é que o encontro presencial possa solidificar um novo capítulo na diplomacia entre os dois países.
A reunião virtual, que durou cerca de 30 minutos, contou com a participação de figuras-chave do governo brasileiro, incluindo o vice-presidente Geraldo Alckmin e os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Fernando Haddad (Economia). Lula aproveitou a oportunidade para solicitar a revisão das tarifas e sanções direcionadas a autoridades brasileiras, medidas que surgiram em resposta ao processo judicial envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Contudo, fontes governamentais de ambos os países asseguraram que o caso Bolsonaro e a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) não foram temas abordados durante a conversa. A prioridade foi o estreitamento de laços econômicos e a busca por soluções para as barreiras comerciais existentes. Haddad classificou o diálogo como “positivo”, enfatizando o tom amistoso da troca.
Lula também se pronunciou sobre a conversa, revelando que solicitou a retirada da sobretaxa de 40% sobre produtos brasileiros e a revisão das medidas restritivas contra autoridades. “Recordei que o Brasil é um dos três países do G20 com quem os Estados Unidos mantêm superávit na balança de bens e serviços”, declarou Lula em nota. A diplomacia brasileira busca agora viabilizar um encontro presencial em um país da Ásia, com o objetivo de fortalecer o diálogo.
Este contato ocorre após um breve encontro na Assembleia Geral da ONU no mês passado, onde Trump descreveu Lula como “um cara muito legal” e mencionou uma “excelente química” entre os dois. No entanto, essa aproximação inicial contrasta com a crise diplomática iniciada em julho, quando Trump anunciou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, citando o “tratamento injusto” dado a Bolsonaro. Lula, em resposta, defendeu a autonomia da Justiça brasileira no caso dos eventos de 8 de janeiro.





