A onda de intoxicações por bebidas adulteradas que assola São Paulo, com ao menos duas mortes confirmadas e dez casos sob investigação, levanta sérias preocupações sobre a origem do metanol utilizado. A Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF) aponta para uma possível ligação com o esquema de fraude em combustíveis envolvendo o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo a ABCF, o metanol utilizado na adulteração de bebidas pode ser o mesmo que a facção criminosa empregava para fraudar gasolina e etanol. A hipótese ganha força após a recente megaoperação que desmantelou uma rede de distribuição de combustíveis ligados ao PCC, revelando níveis alarmantes de metanol acima do limite permitido pela ANP.
A associação levanta a possibilidade de que, com o fechamento de distribuidoras e formuladoras de combustível ligadas ao crime organizado, o metanol tenha sido desviado para a produção clandestina de bebidas. “A facção e seus colaboradores podem ter desviado o metanol para destilarias clandestinas e grupos de falsificadores de bebidas, gerando lucros expressivos à custa da saúde pública”, afirma a ABCF.
As vítimas fatais da intoxicação por metanol foram registradas na capital paulista e em São Bernardo do Campo. As autoridades de saúde investigam outros dez casos suspeitos na capital, todos com indícios de contaminação por metanol em bebidas consumidas em bares e estabelecimentos noturnos.
Embora o contrabando não seja exclusividade do PCC, a recente exposição da facção no esquema de fraude em combustíveis coloca em foco a sua possível ligação com a adulteração de bebidas. A investigação busca agora rastrear a origem do metanol e identificar os responsáveis por colocar em risco a saúde da população.





