A morte trágica de Caline Arruda dos Santos, 37 anos, em Parelheiros, São Paulo, provocada pelo próprio filho de 9 anos, revelou uma história de sofrimento e perdas que marcaram sua vida. A comerciante, antes de ser vítima de um ato inimaginável, já enfrentava um cotidiano de lutas e dores profundas que devastaram sua família. A tragédia reacende o debate sobre a saúde mental e o acompanhamento familiar em situações de vulnerabilidade.
Um dos momentos mais dolorosos na vida de Caline ocorreu dois anos antes de sua morte, quando ela perdeu dois filhos no mesmo dia. Júlio César, de 13 anos, faleceu em decorrência de complicações causadas por uma broncopneumonia. Poucas horas depois, enquanto ela ainda processava a perda e se preparava para o reconhecimento do corpo, o filho caçula, de apenas 2 anos, morreu após se engasgar com um biscoito dentro do carro.
Pessoas próximas relataram que Caline nunca se recuperou totalmente da perda dos filhos. Uma ex-parente, em entrevista ao Metrópoles, declarou: “Ela carregava uma dor imensa, mas tentava ser forte”. Apesar da tristeza constante, ela se esforçava para manter a rotina e cuidar dos dois filhos que restavam.
Na noite fatídica, Caline foi buscar o filho mais novo na casa do ex-marido. Segundo relatos, o menino, irritado com o chamado para ir embora, pegou uma faca escondida e a golpeou no abdômen, atingindo órgãos vitais. Ferida, a mãe ainda pediu um último abraço ao filho mais velho e a um primo que estavam presentes, proferindo palavras de despedida.
O menino de 9 anos, por sua vez, não demonstrou arrependimento imediato, acreditando que a mãe estava apenas ferida e seria socorrida. Devido à sua idade, ele não pôde ser responsabilizado judicialmente pelo ato. O caso levanta questões complexas sobre a capacidade de discernimento de crianças e a necessidade de intervenção familiar e social.





